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O Conceito de Humanidade em Jojo’s Bizarre Adventure

Caso prefira a “versão filme”, fiz um vídeo no Youtube que você pode ver clicando aqui.
Jojo’s nasceu depois que pediram para o Araki desenhar algo que, nas palavras dele, “de uma maneira mais detalhada, eu colocaria no papel o tema da afirmação da raça humana, para não esquecer a humanidade. Existem pessoas boas e positivas com todos os seus lados apreciáveis, mas também há pessoas negativas com seus lados humanos e apreciáveis.” Foi neste trabalho que ele se encantou pelo tema humano e do destino (ou gravidade , outro termo usado em Jojo’s).
Isso fica claro quando vemos os personagens da parte I: Dio, Jonathan e Speedwagon. Dio e Jonathan tinham desculpas para ter um comportamento exatamente o oposto que cada um é. O que nos faz questionar: afinal, toda maldade tem que ser explicada? O mal não pode ser por ele mesmo, tem que depender de algo (especialmente da tristeza)?
E é interessante notar que um herói ter uma base de fãs forte é normal, até natural, mas um vilão ter uma base de fãs tão forte, além de ser uma das marcas do anime, seja em memes, seja como exemplo de maldade.
Um pequeno parênteses, pelo o que percebo, a relação dos fãs com o Dio é uma relação de admiração, de amor, diferente da relação que as pessoas aparentam com o Coringa do Todd Phillips, onde as pessoas tem um sentimento mais de compaixão, quase pena dele.
Escolher o Speedwagon como narrador de Phantom Blood é escolher um personagem mais humano, aquele que é um convertido, um arrependido, que não é um usuário de hamon nem um vampiro, aquele que é mais próximo de nós, humanos comuns. Até nas outras partes, humanos comuns assumem o papel de “narrador”, de forma mais precisa, é sobre o posto de vista deste personagem que a história é contada.
Outros momentos em que a Humanidade em Jojo’s fica claro é no próprio processo de criação dos personagens, Araki parte de algo particular, uma experiência pessoal e coloca uma roupagem universal, como a criação do Kira. O Kira veio da ideia de se ter um vizinho assassino, do tipo que esconde seus rastros, para ganhar características físicas de uma pessoal mundialmente reconhecida, David Bowie. E, ainda sobre o Kira, ele é um personagem que se aceita, que aceita sua natureza. Quando você pega outros personagens, stands, conceitos, costumam ser experiências pessoas que ganham uma roupagem universal. É o dialogo do eu com o todo (da humanidade) e do todo com o eu. Ou nas próprias palavras dele:
(Pergunta da plateia)Como faz, Mestre, para sempre estudar novos poderes e estratégias?
“Sendo meu trabalho, encontro inspiração em muitas coisas, especialmente em momentos da vida cotidiana. Quando eu encontro meus amigos, quando olho para o meu vizinho, quando bebo um pouco de água e ela fica na minha garganta… eu poderia fazer um poder mesmo a partir dessas coisas. Basicamente, acredito que é a observação de pequenos detalhes que é essencial em um processo criativo.”

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