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Afinal, como Jojo’s Bizarre Adventure encara a morte?

Atenção: o maravilhoso texto a seguir contem spoilers .

A morte nos animes é sempre um tema muito controverso, que divide muito o público. Mas acredito que em Jojo’s a morte ocupa um lugar central, essencial a toda obra, exatamente por isso, ela se faz presente em todas as partes. 

Particularmente, eu gosto de animes que têm mortes (de personagens bons, não só de vilões). Sim, fico triste quando um personagem que gosto morre, porém acho muito pequeno encarar animes/mangas/HQs apenas como uma fuga da realidade, encaro-os como uma obra de arte, sendo uma obra de arte também tem a possibilidade de me transmitir tristeza.
Normalmente a morte ocupa dois lugares, que podem existir juntos, nos animes: primeiro representa que os personagens que dão tudo de si, que acreditam na sua causa, na sua idéia, a ponto de dar sua vida; ou/e significa a passagem de um legado, algo a ser mantido e protegido, algo pelo qual vale a pena morrer.
Além de uma idéia que é que o autor não tem que fazer tudo o que eu quero, ele tem que me surpreender, vide Game of Thrones, onde sua fama se fez por matar personagens que o público nunca achou que iriam morrer, sempre surpreendendo. Talvez por isso as duas últimas temporadas sejam tão ruim.

O conceito de stands foi pensando como sendo nossos ancestrais que, por espírito, nos protegem, por isso o conceito de hereditariedade, legado, tradição, maldição, é tão presente em Jojo’s. Por isso a morte do Jonathan (e do George) tinha que acontecer, era a forma deles deixarem seu legado aos seus descentes, além do fato que a morte do Jonathan é uma metáfora, já que ele continua vivo através dos seus descendentes .  

A morte do Dio, de certa forma as duas, nos ajuda a entender o que há de pior, de mais terrível, nele. Se o Dio fosse um homem mau, por pior que ele fosse, não seria tão terrível, pois já que é um homem, basta matá-lo, que teria um fim. Mas  você vai me dizer “Mas ele renegou sua humanidade quando virou um vampiro, wryyyyyy”, mas como vampiro, ele não é o topo da “cadeia alimentar”, na medida em que os pilarmens comem vampiros.  É o fato que mesmo estando morto ele ainda representa um perigo, uma ameaça a toda família Joestar, que o transforma em uma maldição capaz de transcender o tempo e a morte.

Não se trata da quantidade de mortes presentes, nem da qualidade delas, mas do impacto que elas causam dentro e fora da obra. Nisso o Araki é magistral, temos até dificuldades em julgar qual foi a melhor morte, a mais marcante. Will A. Zeppeli? Caesar? Kakyouin? Iggy?  Gyro? Bruno? Alguma outra?
O Araki domina tão bem esse tema, da morte, que ele consegue conciliar dois conceitos que são aparentemente contraditórios. De um lado ele faz com as mortes dos personagens sejam algo extremamente marcante dentro e fora da obra, o que faz  com o público carregue por um tempo aquela morte, ou dando todo um contexto, uma ambientação, pra ela (como a do Will A. Zeppeli ou do Abbacchio), ou nos pegando de surpresa (Caesar, Iggy ou Avdol), mas em ambos os casos, agora entra o segundo conceito, a vida segue, não se fica muito tempo lamentando. Quando compara-se Jojo’s com Naruto (outro anime que gosto) fica explicita esse diferença.

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2 thoughts on “Afinal, como Jojo’s Bizarre Adventure encara a morte?

  1. Pedro disse:

    Incrível artigo!

    1. carlos disse:

      Muito obrigado, fico feliz que gostou.

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